27 de fev de 2011

Misto-Quente - Charles Bukowski


Misto-Quente, Charles Bukowski, Editora L&PM Pocket, R$19,50.

Descobri Bukowski por acaso na livraria. Foi Notas de Um Velho Safado, que eu já comentei aqui. Pois bem, Bukowski já se tornou um dos meus projetos literários, ou seja, eu pretendo devorar ele todinho (os livros dele).
Pelo que eu li por aí, deve-se começar a ler a obra de Buk por Misto-Quente, que mostra a infância, adolescência e juventude de Henry Chinaski, alter ego do autor e protagonista e cinco títulos, apesar de ter sido lançado quando ele tinha mais de sessenta anos.
Chinaski, assim como Buk, nasceu na Alemanha e mudou-se para Los Angeles ainda bem criancinha.
Ele começa contando as primeiras coisas que se lembra na vida, tudo relacionado à família, principalmente ao pai.
A dedicatoria do livro é "A todos os pais" e não é à toa. A família de Chinaski é um trauma só. O pai é quase um psicopata, que espanca o filho no mínimo três vezes por semana sem motivo algum, a não ser por puro prazer.
A mãe é uma nulidade. Uma avó doida que vive dizendo "vou enterrar todos vocês!" , um avô alcóolatra e por aí vai.

"Vovó tinha mais verrugas do que nunca e estava mais gorda. Ela parecia invencível, como se fosse capaz de viver pra sempre. Havia chegado a uma idade tão avançada que não fazia mais sentido que morresse".

O pai de Henry é um pobre soberbo, desempregado que sai todos os dias fingindo que tem um trabalho e se acha melhor que os vizinhos. Desconta as frustações no filho.
A escola é um verdadeiro inferno, onde Chinaski é perseguido, ainda por ele ser um cara durão. Engraçado que sempre tem umas figuras mais tristes que Chinaski e que "grudam" nele.
Os garotos da vizinhança também são um horror. Mas Henry é um cara durão que, por não sentir quase dor nenhuma e sendo meio doido, se torna bom de briga.
Assim ele vai descobrindo as coisas da vida e a forma como ele se refere a tudo isso é interessante e por vezes, bastante engraçada.
Masturbação, mulheres, sexo.
Um trecho em que ele conta como eram os caras da sétima série:

"Éramos como tigres com sarna. Um de nossos companheiros, Sam Fieldman, um judeu, tinha uma barba negra e era obrigado a se barbear todas as manhãs. Depois do almoço seu queixo já estava praticamente escuro. Ele tinha tufos de cabelo por todo o peito e tinha sovacos horrivelmente fedorentos. Outro cara se parecia bastante com Jack Dempsey (lutador de boxe em 1920). Outro cara, Peter mangalore, tinha um pau de 25 centímetros, mole. E quando todos nós fomos para o chuveiro, descobri que eu tinha o maior saco de todos.
- Ei! Olhem para as bolas daquele cara!
- Puta merda! De pau está meio mal, mas vejam só o tamanho da bolas!
- Puta merda!"

"Era difícil para mim acreditar. Minha mãe tinha um buraco e meu pai um pinto que espirrava suco. Como eles podiam ter coisas como essas e continuar caminhando como se tudo fosse normal, conversando sobre banalidades, e então fazem aquilo e não contam nada para ninguém? Sentia realmente vontade de vomitar quando encarava a idéia de ter começado a partir do suco do meu pai."

O problemas das espinhas:

"O tempo do colégio passou com rapidez suficiente. Por volta da oitava série, indo para a nona, comecei a ter acne. Muitos dos caras tinham esse problema, mas não no mesmo grau que eu. meu caso era realmente terrível. Era o mais grave em toda a cidade. Eu tinha espinhas e eruções por toda a face, costas, todo o pescoço e um pouco no peito. Isso aconteceu no exato momento em que eu começava a ser aceito como um cara durão e um líder. Eu continuava durão, mas não era a mesma coisa. Tive que me retirar. Observava as pessoas à distância, como em uma peça de teatro. Eu sempre tivera problema com as garotas, mas agora, coberto de acne, eu estava condenado".

Ele descobre a bebida e depois do primeiro pileque de vinho:

"Pensei: bem, agora descobri alguma coisa, alguma coisa que irá me ajudar nos tantos dias que ainda hão de vir. A grama do parque parecia mais verde, os bancos do parque se tornaram mais bonitos e as flores se esforçavam nesse sentido."

Assim, Chinaski se forma, faz um tratamento terrível para a acne, se forma, arruma e perde emprego, sai de casa. É uma vida louca nos tempos de crise.
O melhor de tudo é como Buk conta essa história. A linguajem simples, direta, os palavrões. Só lendo pode-se entender Bukowiski, por isso coloquei váarios trechos aqui.
Recomendo muito.

P. S.: O meu objetivo ao comentar aqui alguns dos livros que leio é guardar a idéia que tive deles e dar agumas dicas para os leitores desses blog. Na internet há sobre todos esses títulos resenhas profissionais e muito boas que os queridos leitores podem consultar que são muito melhores que esses comentários que eu faço. Mas também tenho a necessidade de escrever sobre muitas coisas, entre elas os preciosos livros, e o blog é o lugar perfeito para isso.
Aqui eu escrevo o que quero, sem a obrigatoriedade de escrever bem ou desse ou daquele jeito. Não seria a mesma coisa escrever e guardar tudo no computador, pois, por mais que eu não precise "vender" os textos, há um pouco a necessidade de "ser lida".
O blog me possibilita escrever e melhorar (espero) a minha escrita.
Agradeço muito aos meus leitores.

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