27 de mar de 2011

"Grande Hotel" e "Noivo neurótico, noiva nervosa"

Oi, gente. Desculpem a ausência. Eu tive uma semana corrida, mas a Ju conseguiu postar bastante, mesmo com os afazeres dela (mulheres já nascem multi-task). Bom esta semana eu assisti dois filmes. Na verdade revi um (tinha esquecido o final de Annie Hall) e vi outro. Vamos a eles.


Em “Noivo neurótico, noiva nervosa” Woddy Allen é Alvy Singer, um escritor e comediante judeu, nova-iorquino e neurótico (jura?). Por intermédio de um amigo ele conhece a encantadora Annie Hall, interpretada brilhantemente por Diane Keaton. O filme é ótimo de todos os pontos de vista. Tecnicamente, pode-se dizer que seja um dos filmes mais vanguardistas de Allen. Há cenas em específico que merecem destaque, como a discussão com um suposto especialista na semiótica de McLuhan que termina em uma discussão com o próprio McLuhan, ou a cena em que os protagonistas conversam na sacada de um apartamento e a legenda explora seus pensamentos, ou ainda o breve dialogo mantido entre as mães dos protagonistas, mesmo estando cada uma em uma cena diferente. Maneirismos a parte, o que realmente toca no filme é o modo natural com que a história é contada, não do ponto de vista cronológico, mas pelas divagações livres e desordenadas da cabeça de Alvy. Da mesma forma, o romance vivido entre Alvy e Annie foge dos lugares comuns, ainda mais comuns quando se trata de uma comédia romântica. Não, neste filme não há final feliz ou idealização do amor, há apenas o amor, da forma imperfeita e insensata que ele é. Este é o centro da obra: o amor é imperfeito e irracional, mas nem por isso deixa de ser maravilhoso.


Grande Hotel (Four Rooms), por outro lado, é uma coletânea de 4 curta metragens dirigidos por Robert Rodrigues, Allison Anders, Quentin Tarantino e Alexandre Rockwell. O ponto comum de todos os curtas é Theodore, o personagem de Tim Roth, um bellboy novato a cargo de quem é deixada a gerencia do Hotel Mon Signor durante a virada do ano. Todas as histórias envolvem os hóspedes do hotel que torturam e incomodam Ted. Exceto por isto, os curtas são absolutamente independentes entre si, contando histórias que vão desde a busca de um coven de bruxas por um ingrediente faltante para um feitiço até o serviço de baby sitter que Ted presta a dois pestinhas. O filme tem mais falhas que virtudes, e falhas que realmente incomodam. A principal delas talvez seja a caricatura que Tim Roth criou para seu personagem. Do sotaque inglês forçado às expressões que beiram à convulsão, tudo transmite um cinismo inadmissível. Este tom estende-se a outros personagens e cenas. Nem mesmo o estrelado elenco consegue salvar a produção. Bruce Willis, Madonna, o próprio Quentin Tarantino, Antonio Banderas, todos, todos em vão. Devo lembrar que há pessoas que gostam do filme, e muito. Grande Hotel é um daqueles casos em que ou você detesta profundamente, ou ama profundamente. Eu detestei.

Um comentário:

Jujuba disse...

Ai, Yom, pensei até que tu tinhas me abandonado... Que alívio!
É imperdoável, mas eu ainda não assistia Noivo neurótico, noiva nervosa.
Mas vou ver logo logo. Eu juro.

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