12 de jan de 2011

Eu, o Tempo e Florentino Ariza


Esse ano de 2010 foi muito diferente pra mim. Completei 35 anos e aconteceu comigo a consciência de que não tinha mais uma vida inteira pela frente, mas sim mais ou menos a metade de uma vida.
Tipo assim "o primeiro ano do resto da minha vida". É o título de um filme, mas é sério, gente, retrata com perfeição esse sentimento.
Então eu fui atacada por uma necessidade de fazer tudo ao mesmo tempo agora. Isso coincidiu com uma certa estabilidade na vida profissional, com os filhos não dando mais tanto trabalho e com a vontade, e a possibilidade, de ficar bonita.
Ainda por cima parece que o tempo está correndo mais rápido!
Nesse contexto comecei a ler o livro O Amor nos tempos do Cólera, de Gabriel Garcia Marquez.
No livro há o personagem de Florentino Ariza, que se apaixona ainda adolescente por Fermina Daza, "a deusa coroada".
Eles, no início, trocam correspondências apaixonadas e comprometem-se até a casar. Quando a correspondência é descoberta pelo pai da menina, ela parte em longa viagem, mas eles continuam se comunicando por telégrafo. Na volta, Fermina Daza despreza Florentino.
Ele simplesmente quase morre de amor. Ela casa com o Doutor Juvenal Urbino, o maior partido da cidade e tem uma longa vida feliz com o médico.
Mas Florentino Ariza resolve ficar rico e esperar o marido de Fermina Daza morrer para que finalmente possa viver ao lado do seu amor. É um amor encarniçado.
Durante todos esses anos Florentino se relaciona sexualmente com muitas mulheres, torna-se um caçador, pois a paixão terrena substituía temporariamente o amor ilusório por Fermina.
Florentino teve casos que perduraram a vida inteira, mas nunca se relacionou com essas mulheres a ponto de não estar totalmente livre quando Fermina fosse também livre.
Trecho: "Florentino Ariza não deixara de pensar nela um instante desde que Fermina Daza o rechaçou sem apelação depois de uns amores longos e contrariados, e haviam transcorridos a partir de então cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias."
Depois que Juvenal Urbino morre Florentino ainda espera mais dois anos por Fermina. Nesse período ele fica amigo de Fermina, frequentando sua casa. Então cai da escada e quebra a canela. Quando o médico ordenou sessenta dias de invalidez ele disse: "Não me faça isso doutor. Dois meses dos meus são como dez anos dos seus."
Quando ficam finalmente juntos ambos são bem idosos.
Essa frase me marcou: Dois meses dos meus são como dez anos dos seus.
Florentino Ariza não tinha mais tempo. Ele tinha medo de morrer ou de que Fermina Daza morresse sem que pudessem viver o amor.
Eu entendo Florentino, pois se eu, com 35 anos e feliz ao lado do amado, já tenho urgência de viver, imagine ele que ainda esperava o seu amor.
Mas ele esperou por mais de cinquenta e três anos. Esse livro é uma lição de vida pra mim nesses dias de tempos estranhos e urgentes. Tempos de aprender a esperar e de querer tudo agora.

PS: essas informações não prejudicam de maneira nenhuma a leitura do livro, pois ele é muito rico em histórias muito bem contadas e já esperamos que o casal vá ficar junto.

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