1 de nov de 2010

O Poderoso Chefão - Michael Corleone

Quando eu gosto de uma coisa, algumas vezes fico um pouco obsessiva e quero
descobrir tudo sobre aquilo.
Sempre gostei do filme O Poderoso Chefão, mas só agora tenho a capacidade de
compreender a importância dele.
Li o livro The Godfather, de Mário Puzo, que originou o livro e acho que o filme é ainda melhor que o livro, já que este tem algumas histórias paralelas à da Família
Corleone bem extensas e não tão boas.
Mas vamos falar do filme e de um outro livro que eu li recentemente e que
gostei demais.
O livro é COMO A GERAÇÃO SEXO-DROGAS-E-ROCK'N'ROLL SALVOU HOLLYWOOD, de Peter Biskind.
Esse livro, que merece um post só dele bem escrito, mostra, entre outras coisas, a produção de O Poderoso Chefão.
Mostra a guerra entre Coppola e a Paramount sobre quem teria direito ao
corte final do filme, a guerra entre Coppola e Robert Evans, que era produtor
do filme, a loucura de Coppola, o esquema inovador de
distribuição do filme e todos, todos os detalhes sórdidos e
interessantes.
Uma das grandes brigas de Coppola com o estúdio era sobre a escolha do
elenco, principalmente Al Pacino e Marlon Brando.
Brando era super famoso mas problemático, e era odiado pelo presidente da
Paramount, Charles Bluhdorn. Já Pacino era baixinho, magricelo e desconhecido.
Quero falar de Al Pacino e seu Michel Corleone, de como esse personagen me
fascina.
Michael Corleone é o mais moço dos três filhos de Don Vito Corleone. Os outros são Santino (Sonny) e Fredo. Fredo é um palerma e Santino, viril e impetuoso, parecia ser a escolha natural para ficar no lugar do Padrinho.
Michael é herói de guerra, honestíssimo, não se mistura com os negócios da
família (de fachada os negócios da família Corleone são basicamente comércio de
azeite de oliva, mas na verdade são bebida, jogos e prostituição, mas,
possibilitando tudo isso e sendo a grande riqueza da família, os contatos de
Don Corleone com políticos, policiais e juízes, as trocas de favores).
No início do filme Michael, na festa de casamento de sua irmã Connie, conta para Kay algumas histórias da família e, quando ela fica horrorizada, ele diz que aquilo é o pai dele, não ele.
Claro que a coisa vai mudar e muito.
Quando Don Vito é baleado (por não ter concordado a entrar no negócio de
drogas com Sollozzo e a família Tataglia, disponibilizando seus contatos para
viabilizar o negócio) e fica à beira da morte, Michael volta para o seio da
família, mas é tratado como um garoto de recados por Sonny, atendendo e fazendo
ligações telefônicas.
Sonny jamais poderia ser Don, por não pensar nunca antes de fazer algo, ser impulsivo e violento demais, mesmo bem orientado pelo consiglieri Tom Hagen.
Quando, certa noite, Michael chega ao hospital para visitar seu pai, logo
percebe que o hospital está totalmente vazio, sem policiais e sem
os capangas da família. Ele liga para Sonny e avisa a situação e que estão
vindo para terminar de matar o Don. Logo começa a tirar Don Corleone do
quarto, levando para outro lugar e, junto com o padeiro Enzo que
chega naquela horinha, monta guarda na frente do hospital fingindo estar
armado.
Quando os assassinos chegam e veem que Vito não está só, vão embora. O
padeiro não consegue acender o isqueiro, de tando tremor nas mãos. Michael pega
o isqueiro e acende o cigarro de Enzo e, por um instante, repara que sua mão não
está tremendo, ou seja, ele já vê ali que tem o sangue gelado.
Na porta do hospital Michael apanha o chefe de polícia corrupto um soco que
o deixa com a cara e a boca tortos.
Ao chegar  em casa Sonny conta que Sollozzo quer fazer um acordo, mas
que quer falar com Michael.
Estão reunidos na sala Sonny, Tom Hagen, Michael, Tessio e Clemenza. Michael está sentado na poltrona com a mão no rosto, meio encolhido, enquanto Sonny despeja suas besteiras e Tom tenta aconselhá-lo.
Então a câmera subitamente pega Michael sentado na poltrona naquela posição
de chefão. Pernas cruzadas, mãos descansando no encosto, cabeça baixa e
inclinada. Ele começa a falar calmamente que os inimigos não descansarão até
matar Don Vito, que Sollozzo deve morrer e que ele mesmo vai ao encontro e que
irá matar Sollozzo e o Chefe de Polícia corrupto.
Enquanto ele fala a câmera se aproxima lentamente, ressaltando a calma e a frieza de Michael.Ele é prático.
A transformação é impressionante, mas bem sutil. Mas os outros riem dele, menos Tom, que tem juízo.
Acho que ali Michael decide colocar em prática o que havia prometido ao Don
no hospital, que agora iria cuidar dele.
Claro que ele mata de modo muito eficaz Sollozzo e o policial. Parece um
assassino profissional.
Michael então foge para se esconder na Sicília e a guerra entra as famílias
se inicia.
Depois de um tempo e de Santino, num de seus acessos de fúria ser pego e
assassinado, Michael volta para trabalhar com seu pai.
Os outros mafiosos da família Corleone não confiam na sua capacidade e
recorrem a Don Vito, que pede que confiem em Michael. Este diz que irá resolver
todos os problemas da Família Corleone face às outras famílias mafiosas de Nova
York, Nova Jersey e do resto do país.
Depois que Don Vito morre, Michael coloca seu plano em ação, ao mesmo tempo
em que está batizando o filho de Connie (o marido de Connie e pai do bebê foi
que atraiu o cunhado Sonny para a emboscada).
Michael recupera o poder da Família Corleone, por que simplesmente manda
matar todos os chefes de todas as famílias rivais. Barzini, Tataglia, Cuneo,
Moe Greene etc. É um banho de sangue e as cenas são estupendas.
Eu me impressionei muito com a personalidade fria e impiedosa de Michael
quando ele engana o cunhado, dizendo que não vai matá-lo, até consolando-o,
dando tapinha nas costas e minutos depois o vê sendo estrangulado.
Agora o finalzinho do filme é a cereja do bolo.
Connie vai à casa de Michael histérica por ele ter matado seu marido e diz
para Kay que, se ela quer saber quanto homens seu marido mandou matar, que ela
olhe o jornal do dia.
Kay pergunta a Michael se aquilo é verdade e ele fica puto, dizendo que ela
jamais deve perguntar dos negócios da família. Mas aceita responder só daquela
vez. Ela pergunta novamente e ele responde que não.
Ela acredita, pois quer acreditar na mentira.
Então ela sai para pegar uma bebida para os dois.
Quando está lá fora, alguns mafiosos chegam e falam com Michael Corleone, agora O Padrinho. Cada um se curva e beija a mão de Michel.
Ele é O Poderoso Chefão, incontestável, incomparável e muito temido.
Enquanto a mão de Michael é beijada o capanga fecha a porta lentamente. Kay
fica da fora, observando enquanto a porta se fecha. Entra a música tema. Acaba
o filme.
Amo essa cena. Só vendo!
Coppola mostrou que a escolha e Al Pacino foi perfeita, como também de
Marlon Brando.
Acho que outro ator não conseguiria mostrar a personalidade de Michael
Corleone.
Esse é apenas um dos aspectos do filme que eu gostaria de falar. Ainda tem
mais.

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