14 de set de 2010

Satíricon

Obra de 63 d. C., escrita por Petrônio. Quando comprei esse livro li na contra-capa que era uma "obra de protesto altamente esclarecedora". Conversa! O livro é pura sacanagem mesmo.
Narrado por um libertino, Encólpio, que viaja com dois companheiros, Gitão e Ascilto, pelo sul da Itália e reproduz o ambiente romano de devasidão nos bordéis e nas estações de águas com seus parasitos, prostitutas, novos-ricos e literatos.
Os três são umas pestes que ludibriam, roubam e comem todo mundo.
No final do livro, depois de muitas trapalhadas, Encólpio cai de amores pela lindíssima Circe. Quando ele está numa boa com a bela, falha:
Estendidos sobre o relvado, inauguramos com mil beijos os prazeres mais concretos. Traído por uma súbita fraqueza, porém, acabei frustrando a expectativa de Circe.
Soldado cheio de ardor, não pude achar minhas armas no instante da luta.
Encólpio ficou tão arrasado que não queis nem dar uns pegas em Gitão:
- Crê em mim, irmão, não me reconheço. Agora, de homem só me resta o nome. Está morta, em meu corpo, aquela parte que antes me tornava um Aquiles.
Após trocar correspondências com Circe, Encólpio vai ao seu encontro. Mas ela enviou uma velha feiticeira para dar um jeito no problema que impedia os seus prazeres:
A bruxa levou a mão à parte doente para assegurar o retorno das minhas forças. Nunca feitiço algum agiu tão rapidamente. O culpado ergueu a cabeça e repeliu amão da velha que estava estupefata quanto a enormidade do prodígio.
Mas Encólpio falhou de novo:
Unidos nossos corpos pelos mais deliciosos abraços, iam efetuar a fusão completa de nossas almas quando, de repente, em meio a todos aqueles edênicos prelúdios, as forças me abandonaram de novo e eu não pude chegar até o fim do prazer.
Encolerizada com a afronta, Circe mandou surrar o pobre impotente. Encólpio caiu novamente nas mãos da velha bruxa na tentativa de cura. Olha o remédio:
Proferindo essas palavras, buscou um falo de couro, salpicou-o com pimenta e urtiga pisada, untou-o com azeite e introduziu, pouco a pouco, em meu (lá mesmo onde estão pensando e eu não quero escrever aqui). Depois, a cruel velha me regou as coxas com aquele líquido estimulante. Misturando agrião com abrótano, cobriu-me com isso a parte doente. Apanhou depois um punhado de urtigas verdes e fustigou-me o baixo ventre com pequenos golpes. Essa operação causava-me dores agudas e pus-me em fuga para me livrar.
Depois de muitas trapalhadas e sacanagens, ele recobra as suas forças.
- Os deuses restituíram todas as potências do meu ser. Sem dúvida Mercúrio, que conduz as almas ao Tártaro e as traz de volta, devolveu-me aquilo que uma mão hostil havia me roubado para que todos vejam que sou mais bem dotado que Protesilau e todos os heróis da antiguidade.
A essas palavras, ergui minha túnica e mostrei-me a Elmolpo em toda a minha glória. A princípio, ele ficou espantado. Depois, para se certificar do que via, acariciou com uma mão e depois com a outra aquele presente dos deuses. Essa maravilhosa ressurreição deixou-nos em muito boa disposição.
Cara, eu ri muito lendo esse livro.

2 comentários:

JACK BABY disse...

Pois é, e eu além de rir do livro rí de mim, que paguei 10 doletas no sebo, e passando no shopping ví que o livro estava 9,90. bacaaana!!!!Nunca mais eu volto no sebo!!!!Quem mandou me roubar.

Blog da Jujuba disse...

Mas não é uma graça o livro?/
Olha, todos os clássicos são editados pela Martin Claret, a editora protetota dos leitores pobres.

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